<a onclick=”javascript:window.open(‘http://www.portacurtas.com.br/pop_160.asp?COD=4951&Exib=6420′,”,’width=560,height=525,top=0,scrollbars=YES’)”

href=”#”>Texto ou imagem do link aqui</a>

BOAS NOTÍCIAS

Março 16, 2008

c.gif

Olá pessoal, gostaria de dividir com vocês uma boa notícia. O texto “Uma cartinha para McLuhan”, já publicado aqui no blog, foi selecionado para publicação também na revista digital Things Mag. O lançamento da dita cuja está previsto para meados de abril. Desde já convido a todos a conferir a partir do próximo mês no site www.thingsmag.com.br o resultado da brincadeira.

Vale deixar registrado o abraço forte para o professor Coxinha, que encomendou o texto, e para a Dona Pierina, protagonista da cartinha…

Se alguém quiser conferir aqui no blog mesmo, ela continua publicada: http://corbari.wordpress.com/2008/01/23/uma-cartinha-para-mcluhan/

Brasil: De devedor a credor…

Fevereiro 22, 2008

A VIRADA DE JOGO!

  

Estamos tão acostumados a notícias ruins que quando boas notícias nos surpreendem tendemos a reagir com menosprezo ou mesmo apresentar sinais de dúvida. As tragédias são mais emocionais, os acervos da ilegalidade são mais revoltantes, os crimes são mais consternadores… As conquistas, quando acontecem, não evocam mais do que alguns dias (ou minutos???) de comemoração, quando esta acontece.

 

Vejam bem, essa pequena introdução é para falar da virada de jogo histórica que nossa geração está presenciando desde hoje (21/02/2008) e que possivelmente deverá se estender por um bom tempo. Não sei como isto está sendo divulgado na grande imprensa, mas creio que não vá merecer o mesmo destaque das grandes tragédias ou dos escândalos cotidianos. Vamos esperar as coisas correrem e depois avaliar o destaque…

 

Trata-se de um apontamento econômico da maior relevância: pela primeira vez na história (isso mesmo, desde que um português gritou “Terra a Vista!”) as divisas internacionais (leia-se a grana que temos a receber) superou o valor bruto da dívida total adquirida junto aos diversos mecanismos e esferas financeiras (leia-se dívida externa). Os espelinhos e quinquilharias deixados por Cabral e seus infantes marcaram o início de uma história que se prolongou por 508 anos até nosso tempo, onde nunca tivemos a satisfação quase gozosa de anunciar: saímos do vermelho!!!

 

Nada acontece por acaso. Isso não significa que dormimos com a conta negativa e acordamos com saldo. Esse dado, anunciado hoje pelo Banco Central veio sendo estudado e calculado desde os primeiros dias de janeiro, apontando para um resultado positivo de 4 bilhões de dólares entre os ativos que temos a receber e os passivos que ainda precisamos pagar. Concretamente isso significa que o país deixará de ser reconhecido como devedor internacional e passará a ser reconhecido como credor.

 

Os complexos índices que definem o risco-país, percentual que serve como referência para investimentos externos especialmente de grandes corporações, também devem reverter-se consideravelmente a favor do povo tupiniquim. Em breve devemos receber a cotação de grau de investimento pelas agências de classificação de risco, ou seja, o risco de calote é praticamente inexistente, o que naturalmente atrai mais investidores e flexiona a economia em ritmo de crescimento. Aí é que está o segredo do sucesso! Poderemos ter mais boas notícias muito em breve.

 

E quem vai falar mal do titio Lula agora? Criticar por criticar está fora de moda.

xxxx.jpg

 

A brutalidade me entristece. Penso porém que além do sofrimento velado, faz-se notar ainda mais as vozes caladas, as histórias que nunca serão contadas, o conhecimento que se perde sem expressão, submerso entre o medo, a dor e um final inesperado.

 

Acabei de ler “A Menina Que Roubava Livros”, livro de estréia do australiano Markus Zusak, popstar literário da hora. Normalmente sou fugitivo deste perfil de livro, vendido aos milhões mundo afora, amparado por forte projeção pessoal de seu autor e sustentado frente a fartas campanhas de marketing editorial localizadas. Conheci-o, o livro, em Passo Fundo, durante a Jornada Nacional de Literatura, no ano passado. Inicialmente a imagem de capa me pareceu atrativa e me fez atravessar a livraria em direção à estante de lançamentos, local que não costumo freqüentar. Parecia-me familiar. Uma vez perto o suficiente para que meu estigmatismo ocular me permitisse ler o título, outra percepção de atração. A contracapa cumpriria com precisão seu papel de rótulo no intuito de seduzir o leitor: “Quando a Morte conta uma história você deve parar para ler”.

 

Não sei por que cargas d’água não tinha sequer ouvido falar deste livro antes. O dito cujo já era tema de discussões nos meios literários há tempos. Resisti ao primeiro impulso, mas me acompanhou a sede comum a um bom leitor de tirar a prova sobre o que vinha dentro daquela embalagem tão bonita e bem planejada. Cerca de duas semanas depois encontrei-me com a “Menina” novamente na livraria Ícaro, já na cidade vizinha de Frederico Westphalen, minha casa tradicional de aquisição de escritos. Dessa vez não titubeei e investi perto de R$ 50,00 em troca do produto desejado.

 

Antes de continuar, devo fazer eco a André Gazolla, do site www.lendo.org . Não esperam de mim os prezados leitores o distanciamento e a racionalidade analítica inerente a um crítico literário. Não tenho preparo nem traquejo para tanto. As fartas linhas a seguir falam muito mais de impressões e sensações do que de análise. A verdade é que, assim como Gazolla, há muito um livro não me arrepiava tanto. À exceção deste crítico já citado não procurei outras falas que pudessem com suas impressões enlatar minha percepção da obra. Portanto, embora ainda um pouco extasiado pelo clímax da leitura, creio serei verdadeiro em minhas opiniões, cabendo ao leitor o direito divino da discordância e a liberdade manifesta de exprimir-se através dos comentários deste longo post.

 

Voltei para casa com a “Menina” nos braços. Cheirava a brinquedo novo. Não sei se algum dia vocês imaginaram um livro assim, mas para mim essa é uma impressão constante: um livro novo tem o cheiro gostoso de um brinquedo novo, as páginas virgens agradam ao olfato tanto quanto o plástico recém desembrulhado dos presentes da infância. Mas voltemos para as páginas. Deixei de lado alguns afazeres importantes e mergulhei nas águas frias de uma Alemanha desconhecida, onde foi um pouco duro, confesso, perceber que ao lado do que aprendemos a interpretar como “vilania” havia um imenso jardim de flores coloridas e doces, milhões de almas inocentes e um igual número de histórias gentis cujo destino impreterivelmente foi encontrar aconchego nos braços da narradora desta história: a Morte.

 

Um parêntese: lembrei-me de Neil Gayman e de sua mitologia dos eternos, onde o regente é o Senhor dos sonhos, Sandman, e a coletora de almas representa sua irmã mais velha. Para ele, Morte é uma personagem doce e complexa, embora fiel à seu serviço e ciente das necessidades concretas de sua execução, por vezes ela parece até ser gentil e, em seu cotidiano inverso, outras parece ser arteira… Característica humanizantes para um personagem que transita no imaginário entre o místico, o divino e o extremo material. A Morte segundo Markus Zusak, não me parece ser gentil, muito menos doce, mas sim assustadoramente humana. Ela passeia pelas 478 páginas da história oferecendo doses homeopáticas de uma humanidade que cada vez mais me parece possível somente nas linhas de um livro. Ela não permanece nas páginas, aplausos os escritor, ele faz com que ela sente-se na poltrona ao lado, converse e por vezes até deixe escapar algum suspiro que faz com que sintamos algum calafrio no ventre… Mas não se enganem, pois o humanismo e a doçura são apenas temperos para uma enorme coleção de tragédias que são desenhadas em uma guerra. Assim como Gayman no argumento de seus quadrinhos nos mostra a morte como uma jovem sedutora que nos intriga mais do que assusta, em caminho semelhante Zusak humaniza a personagem em seus passos para nos mostrar como até mesmo a Senhora de todo final pode assombrar-se com os paradoxos da humanidade. O inverso daquilo que esperamos sempre nos choca.

 

“A Menina que Roubava Livros” é uma história contada de um jeito bem diferente, repleta de citações paralelas a respeito de pareceres múltiplos que culminam obviamente em múltiplos pontos de vista a respeito dos fatos que aconteceram dentro da Alemanha, durante o período mais triste da segunda grande guerra. Aí talvez você, leitor, se pergunte como eu, se ainda vale a pena destinar alguns pares de horas para ler uma obra com esta temática de plano de fundo. Por vezes me parece que tudo o que poderia ser dito já o foi. Mais uma vez me enganei. Uma boa história sempre tem aspectos sombrios a serem explorados, sempre tem um caminho alternativo no labirinto das palavras para mostrar um novo ângulo de visualização, uma nova possibilidade de escape, uma saída que pode alcançar um lugar inesperado. E uma grande guerra, definitivamente, embora triste, é sempre uma boa história. Creio que o mérito de Zusak e da Menina reside em dosar encantamento e miséria em uma ótica inusitada, onde as grandes ou pequenas maldades são traços de personagens que escapam dos simples estereótipos dos heróis e vilões costumeiramente desenvolvidos pela mentalidade ocidental. Os pólos não se opõem, ao contrário parecem ser necessários em uma complementação complexa. Grandes ou pequenos crimes costuram-se formando um panorama cotidiano e diário, correndo em direção a uma tragédia anunciada que poderia não ser tão óbvia naqueles dias quanto nos parece ser hoje, passados já mais de 60 anos dos fatos, onde a paisagem mostrava-se essencialmente composta por cores em tons de branco, negro e vermelho.

 

Acompanhei a história de Liesel Meminger com prazer e inquietação, curiosidade e assombro, expectativa e tensão. Creio que esteja longe de ser um livro extraordinário, mas é um bom livro com certeza. Para finalizar, retomando esse paralelo avesso que teima em me vir à mente, entre Gayman e Zusak, é preciso esclarecer aos fãs do argumentista estadunidense que a Morte que acompanha as histórias do universo de fantasia mitológica de Sandman difere muito da Morte que por três vezes apresentou-se frente à pequena Liesel Meminger em um subúrbio alemão através das teclas do escritor australiano. Onde podemos perceber que ambos se encontram? Creio que extamente no avesso, no paradoxo. Se para Gayman muitas vezes nos deparamos com imagens confusas e cruéis que espelham os reflexos mais obscuros de nosso subconsciente, na Rua Himmel da alemanha bombardeada nos encontramos frente também a um tipo de espelho especial, igualmente incômodo, que nos mostra em sua face a crueldade crua de nossa humanidade imperfeita e a culpa de uma história escrita por nossos antepassados que nos acompanha como um legado genético que sucede-se entre uma geração e outra.

 

A Morte não interfere, ela apenas cumpre seu papel, colhe as almas que se perdem de seus corpos, recolhe a inocência e a imundície com as mesmas mãos. A exceção está traduzida somente no momento em que ela se detém, deixa o tempo correr por alguns segundos e, entre os escombros de mais uma tragédia colecionada, junta um livro manuscrito por uma menina que gostava muito de roubar histórias. Ao terminar a leitura, não pude deixar de sentir uma estranha sensação de solidão.

Por um pouco de samba… 

Na última sexta-feira, 1º de fevereiro, abertura de Carnaval, participei do programa “Fora da Casainha”, na emissora Liberdade FM. Em uma conversa musical de 2 horas com o co-tocaio Antonio Marcos servimos um cardápio musical baseado no melhor do samba verdadeiro, livremente espraiados por diversas tendências, incluindo desde algumas pérolas resgatadas do fundo do baú até algumas presenças da nova geração da música brazuca. Inspirado por esta participação e, principalmente, por muitas coisas legais que ouvi ao longo da semana preparando o playlist daquel noite resolvi deixar algumas sugestões de boa audição para vocês. O cardápio é variado, os sabores bailam exóticos e surpresas boas temperam as canções com gosto de quero mais…

 Samba de Verdade (set list do programa “Fora da Casinha”) 

01 – roberto ribeiro – viva meu samba + a voz do morro

02 – gabriel e fundo de quintal – ai que saudades da amélia

03 – vander lee e elza soares – subindo a ladeira

04 – cássia eller – partido alto05 – martinalia – cabide

06 – dudu nobre – é hoje o dia (união da ilha do governador)

07 – beth carvalho e revelação – o samba começa assim

08 – cartola, tom jobim e paulinho da viola – no tom da mangueira

09 – jovelina pérola negra – malandro também chora

10 – gonzaguinha – e vamos a luta

11 – fernanda abreu e martinália – sou brasileiro

12 – moraes moreira – preta pretinha

13 – caetano veloso – atrás da verde e rosa

14 – beth carvalho e nelson cavaquinho – folhas secas

15 – paulinho da viola e clara nunes – foi um rio que passou em minha vida

16 – leci brandão e casuarina – aquarela brasileira

17 – zizi possi e martinalia – capim

18 – novos baianos – brasil pandeiro

19 – novos bahianos – o samba da minha terra

20 – noite ilustrada e clara nunes – cadência do samba

21 – gilberto gil e gal costa – país tropical

22 – alcione e cássia eller – não deixe o samba morrer

23 – leci, jovelina e almir guineto – o show tem que continuar Link: http://www.badongo.com/file/7604507 Fonte: própria  

Samba Novo 

1. manifesto – bangalafumenga   

2. o canto da raça – hamilton de souza   

3. se a alegria existe – teresa cristina   

4. afefé – roberta sá/ trio madeira brasil   

5. a mais bonita de copacabana – edu krieger   

6. parangolé – flávia bittencourt   

7. história do mar – sururu na roda   

8. cantiga – monobloco   

9. minha noite é de manhã – talma de freitas   

10. vento lento – rubem jacobina   

11. maria, tô pra voltar – nina becker/ rodrigo maranhão   

12. fubá – raphael gemal   

13. reza forte – serjão loroza   

14. miragem – serginho procópio   

15. bela – eletrosamba

http://rapidshare.com/files/87700206/VA__-_Samba_Novo__2007__-_www.uouwww.com.rar

 Fonte: http://uouwww.blogspot.com  

Duetos Biscoito Fino 

1. tomara – miúcha e bebel gilberto

2. choro incontido – francis hime e paulinho da viola

3. mulher faladeira – chico buarque e zeca pagodinho

4. flor da bahia – joyce e dori caymmi

5. copacabana – joão donato e paulo moura

6. amigo é casa – zé renato e lenine

7. anjo exterminado – jards macalé e adriana calcanhotto

8. a pescaria – maria bethânia e caetano veloso

9. porta de cinema – bebeto castilho e marcelo camelo

10. tristeza e solidão – olívia hime e djavan

11. tocador de violão – chico pinheiro e joão bosco

12. na aldeia – mônica salmaso e tereza cristina

13. milagre dos peixes – simone guimarães e milton nascimento

14. eu não existo sem você – ana jobim e tom jobim

Link para baixar: http://w13.easy-share.com/1234570.html?W1201944355|ac7de696e9b3d76451d85d7f9fb15497

Fonte: http://musicoteca.blogspot.com

 

Salada Musicoteca 

1. carne de rã – por leandro id lascado

2. tras um alivio – apollo nove

3. parte coração – pedro luis e a parede

4. sertão urbano – curumim

5. blue para um cadáver sonhador – gláucia lima

6. não pára – com carlos daffé

7. maria joana – ana martins

8. o seu olhar – ceumar

9. abelha e pardal – edvaldo santana

10. natureza – andré abujanra

11. anjo de guarda noturno – bicho de pé

12. samba na janela – bena lobo

13. só se for a dois – por cássia eller

14. container – mobomjó

15. falador passa mal / buchicho – sambasonics

16. segredo – suba

17. (faixa bônus) rap du bom parte 2 – dj janot

Link: http://www.badongo.com/pt/file/3405990

Fonte: http://musicoteca.blogspot.com/

   

Uma cartinha para Mcluhan

Bom dia Marshall McLuhan. Antes de mais nada quero agradecer pelas idéias interessantes que você propôs enquanto ainda estava vivo e que hoje são tema básico em nossas aulas de Teorias da Comunicação. Creio que você deva estar feliz pela relevância que suas proposições assumiram na contemporaneidade, embora muitos de nós, desprovidos da intelectualidade necessária à compreendê-las, devamos confessar que é um pouco difícil decodificá-las. Mas não é este o motivo que me leva a te escrever esta cartinha e importunar o teu sagrado descanso eterno aí no lugar aonde vão os mortos.

Quero hoje te falar de minha mãe, a Dona Pierina, que também é uma pessoa bem legal, apesar de não ser uma intelectual muito conceituada. Ela cursou somente até a quinta série primária, o que não a impediu de formular também algumas idéias interessantes e até mesmo desempenhar algumas “pesquisas” de campo um tanto exóticas. Quando eu era pequeno ela utilizava um meio bem interessante de comunicar-se comigo e com minha irmã, uma bela vara de marmelo, que era capaz inclusive de transcrever alguns signos lingüísticos em nosso lombo arteiro. Não éramos lá nenhum tipo de pivetes dos mais ativos, mas fazíamos as nossas traquinagens e, nossa progenitora não exitava em nos aplicar impiedosamente uma das tuas teorias mais conhecidas, aquela que diz que o meio é a mensagem. Pois é, no caso dela o meio era a vara de marmelo, a mensagem era a reprimenda, a recepção nosso couro e o feedback o choro arrependido.

Lembro ainda que você foi um dos primeiros a falar sobre impacto sensorial e aldeia global. A Dona Pierina também nos fez entender esses dois conceitos muitos antes de conhecermos as tuas idéias. Você duvida? Então pergunta para qualquer um que esteja aí contigo e que tenha tido uma educação legitimamente campeira, qual o impacto sensorial de uma vara de marmelo utilizada como meio de comunicação frente a uma paleta desnuda. Acho que esta afirmativa dispensa maiores comentários. Já para falar de aldeia global precisarei demonstrar como os efeitos ideológicos dos meios de comunicação podem ser decisivos na formação psicológica de uma criança que entra em contato com o referido já citado em diversos momentos nesta pequena cartinha: a vara de marmelo. Muito mais do que a influência da televisão ou do rádio que povoaram nossa infância nos períodos em que não nos encontrávamos aprontando alguma façanha pelos quintais da vizinhança, devo confessar que a linguagem impressa foi de fato o mais marcante, e não falo das histórias em quadrinhos compradas no armazém do Seu Simão, nossa primeira lousa onde aprendemos a ler. Me refiro neste momento mais uma vez aos signos lingüísticos impressos em nossa pele pelo marmelo, mais popularmente conhecidos como “vergão de surra”, que traçavam segmentos contínuos e entrecortados de baixo acima em nossas pernas. Quando o processo comunicativo se expressava dessa forma, deixando o lombo de lado e privilegiando os membros inferiores, obviamente manifestava-se a busca por uma repercussão de maior relevância, expondo as teorias comunicacionais em questão no macro-ambiente social representado pelos nossos amiguinhos, fossem eles vizinhos ou coleguinhas de escola. Você já foi gozado alguma vez por seus amiguinhos ao perceberem que levou umas boas varadas de sua mãe, MacLuhan? Devo afirmar que esta é uma das maneiras mais interessantes de entender o que é a aldeia global…

Concordo com a revista Fortune, que te qualificou como uma das personalidades mais influentes em todos os tempos e reconheço o teu pioneirismo no que se refere aos estudos da tecnologia e seus impactos na construção da sociedade humana em suas diferentes fases, mas devo me arriscar a tecer uma pequena crítica, pois quando você definiu a televisão, em uma frase que ficou muito famosa, como “a imagem, o som e a fúria” é porque definitivamente você não conheceu a Dona Pierina em um dos seus dias de poucos amigos.

Para encerrar esta conversa, onde procuro fazer justiça e integrar dois pensadores tão presentes em minha formação pessoal, intelectual e psicológica, devo ainda te dizer que é uma pena que você já tenha morrido. Creio que ficaria feliz por conhecer aspectos tão interessantes das aplicações de tuas idéias. Confesso sim, um pouco excêntricos, mas interessantes…

Obrigado pelas tuas idéias e principalmente pela aplicação que nossos mestres fazem delas nas salas de aula, muito mais suaves que as técnicas da Dona Pierina.

Marcos Antonio Corbari

Desejos para o novo ano

Dezembro 31, 2007

001.jpg

Desculpem aqueles que se chocaram com minhas palavras a respeito do Natal e do novo ano, mas são sinceras e verdadeiras. O que expressei em “Um texto para mim e para você”, em suas duas partes, reflete exatamente o que penso e o que espero.

Não creio que faça muito sentido nossos desejos hipócritas de felicidade, sucesso e dinheiro quando tantos desejam simplesmente pão, dignidade e justiça. Se você não está entendendo bolhufas deste desabafo, navegue um pouco mais baixo neste blog e conheça os dois textos a que me referi.

Vestindo-me de um pouco de hipocrisisa, já que percebo que é o que muitos esperam de mim, deixo apenas o desejo de “um bom ano a todos”. Entendam como quiserem.

Sempre sinceramente,

Marcos

Debatendo a Utopia com Nina

Dezembro 29, 2007

marcos-nina.jpg

Pensei muito sobre a utopia nos últimos dias. Não pelo fato de ser um comunista utópico, daqueles que acreditam na possibilidade de arrancar uma estrela do céu, plantar ela na terra e ver brotar. Na verdade essa reflexão partiu de uma leitura pessoal que uma amiga muito querida fez sobre a maneira concreta como o autor José Saramago interpreta a utopia. Nina Antniolli, do blog www.algumolhar.wordpress.com escreveu sobre Che Guevara, abordando o gancho jornalístico oferecido pela matéria (matéria?) publicada pela revista Veja em outubro passado. O texto chama-se “Che, Veja e afins” e como pode ser conferido em outras produções da moça, segue a regra da excepcionalidade, tanto pela clareza de idéias, quanto pelo conteúdo informativo, porém mais ainda pela franqueza ácida que a caracteriza. Voltemos à utopia, tema deste pequeno ensaio, deixando de lado o puxa-saquismo. Na verdade, embora sejamos amigos muito próximos, Nina e eu divergimos quanto à leitura desse assunto em particular. Dentro da análise sobre Guevara e a releitura de Veja, minha amiga mostra como pensa: “em relação às utopias, retomo o que diz Saramago: utopia não serve para nada; o sonho precisa ser plausível e realizável para ser sonho…” e segue: “as utopias, segundo Saramago, não existem, não se realizam, por definição.” Confesso que esta idéia me incomodou um pouco, até mesmo por não ser lá um grande conhecedor da obra de Saramago e desconhecer esta sua opinião, embora seja de uma certa obviedade partindo do Nobel português.

Resolvi então cutucar a onça com vara curta e deixar um comentário discordante, manifestando-me mais simpático com o pensamento do argentino Eduardo Galeano: “Creio que a utopia serve para algo sim, nem que seja para ao menos nos fazer caminhar.” E segui arriscando: “Seríamos pequenos, resumidos à mediocridade materialista, caso nos propuséssemos somente sonhos possíveis.” A réplica não tardou mais do que alguns minutos, embora 400 quilômetros nos separem fisicamente (bendita internet!). Pegando no meu pé pela minha condição assumida de comunista, ela foi convincente, valendo a transcrição da citação inteira:

 

“Pois aí é que está. Saramago é comunista. De carteirinha. E diz que tolo é quem diz que comunismo é utopia, porque utopia serve para não ser. Então ele compara com a figura do Quixote, que não era utópico. Quixote sabia que era um cavaleiro andante, apesar de os outros verem utopia nele. Acho que esse ponto, sobre as utopias, é super importante: a utopia trilha caminho, mas precisa ser possível, pelo menos para quem acredita nela. Precisa ser realizável.”

Claro que trepliquei a questão, seguindo com o discurso, porém ressaltando minha condição de apaixonado (pela utopia, cite-se…):

 “Nada mais utópico do que tentar definir a utopia, reduzi-la a um conceito limitado… sou um apaixonado pelo impossível e vejo muitos outros mais doidos e mais capazes do que eu que mostraram que o impossível em seu tempo não era algo tão impossível assim, com a licença da redundância. Alguém lembra de Júlio Verne? Mesmo sem ser um cientista ele anteviu grandes conquistas da ciência que somente seriam concretizadas em futuro ainda distante para ele próprio. Podemos continuar imaginando o impossível e transformando o improvável em fato ou… como preferem reafirmar os materialistas, crer somente no que tange o toque de nossas mãos e deixar tudo assim como está. Não sou capaz de aceitar a utopia como uma inutilidade, pois graças a sua impossibilidade muitos passos foram dados.” 

Procurei fechar a discussão, percebendo que meu debate era com Saramago e não propriamente com Nina, o que me deixaria em considerável desvantagem… hehehe… “Utopia é aquele sabor de doce antigo que vem na boca da gente em determinados momentos sem que se possa lembrar de onde o provou, de quem o fez ou sequer de que nome tem… mas… hhhmmmmmmm… ele segue além do tempo sendo aquilo que de mais saboroso pode vir à mente, mesmo que nunca mais retorne à boca ou que mesmo algum dia tenha de fato estado ali.”

Devia imaginar, claro, que uma fuga à formalidade textual não seria aceita em primeira mão e, depois de publicado esse texto pela primeira vez no blog, como pode ser conferido no comentário em anexo, o arremate ficaria por conta dela, valendo mais uma vez a citação integral:

“Nesse texto o que tu chama de discordância, eu chamaria de dialética. E talvez, aí, nossas idéias sejam convergentes. Quanto mais se pode construir sobre a questão e o conceito da UTOPIA, mais se pode caminhar, também, pelo caminho utópico. Eu concordo que Saramago seja materialista e que Galeano seja muito pouco formalista. mas no debate do Fórum Social sobre a utopia e o Quixote, também estavam lado a lado.”

Nada mais gostoso do que divergir de uma pessoa amiga, especialmente quando elas está habilitada para falar no assunto em questão. E esse é o caso mesmo! Nesses momentos ganham concepção grandes idéias que, em contrário, talvez nunca pudessem tomar corpo fora da etereidade das opiniões não manifestas. E como fiz em meu último e-mail para Nina, reafirmo que continuo acreditando na utilidade estratégica da utopia, saboreando cada tempero nobre que vem junto nessa mistura que cria o gentil sabor do impossível… Desculpa aí Saramago, mas como bom gringo teimoso, sigo discordando… hehehe…

texto-2.jpg 

Depois da coleção de demagogias trocadas durante o período pré-Natal, agora é a vez das velhas frases feitas manifestando bons desejos se voltarem ao foco do novo ano. Me entristece saber que existe tanta gente disposta a falar simplesmente, sem propor-se à ação. Penso que antes de desejar felicidade e prosperidade a meus amigos, devo pedir perdão pelas falhas que cometi para com eles durante este ano que encerra, especialmente pelas inúmeras omissões a que vejo nos submetermos em nosso dia-a-dia. Que direito temos nós de desejar paz ao mundo se não fazemos nada para que essa paz seja concretizada de alguma maneira??? Sim… sei que estou sendo azedo de novo, turrão, mal humorado… mas tem como não ser??? Gente, vamos pensar um pouco… Olhar toda essa merda à nossa volta e a nossa falta de ação (ou reação) contra tudo isso! Vejam bem, não estou tentando fazer um discurso político, na verdade ele pretende ser humanístico. Me apego sempre à Ghandi quando faço esse tipo de fala, renovando a grande frase do pacifista indiano, que diz que a melhor forma de mudar o mundo é mudar primeiro a nós mesmos. Eu estou começando por mim. Não esperem hoje manifestações de bons desejos ou bons presságios para vocês, meus verdadeiros amigos. Podem esperar sim muita ação e reação… Muito fôlego reforçado para denunciar a injustiça… Muita vontade indignada para fazer valer ao menos um pouco dessa mudança necessária… Muita raiva apaixonada para ao final de 2008 poder me aproximar de cada um e dizer simplesmente: “Eu fiz a minha parte!”

 

Espero poder ouvir o mesmo de todos vocês.

 

Até 2008!

  

Marcos Corbari

Sobre Benazir

Dezembro 29, 2007

benazir.jpg

Não quero discutir a razão ou a ausência desta nas ações e idéias da ex-primeira ministra paquistanesa, Benazir Bhutto, que foi morta nesta semana. Me parece que transformar uma pessoa que foi um ícone de corrupção em um país onde os extremismos são característica comum ao meio sócio-cultural estabelecido não é o procedimento mais correto. O fato, e este sim deve ser considerado, é que mais uma voz acabou calada pela mão da intolerância. Não quero discutir a relevância da mensagem e sim o direito de comunicá-la. Vivemos um tempo negro, como talvez nunca houve antes. Uma nova idade das trevas onde o nome de Deus é utilizado para justificar os crimes mais sórdidos.  Entre o Natal e o Ano Novo recebemos este brinde triste, como um presente atrasado de um Papai Noel irônico e cruel. A maneira como relatamos nosso tempo constata que deixamos diariamente mortos pelo caminho, evitando que a história aconteça e assim continuamos patinando em uma idade média rediviva, onde trocamos apenas as armaduras e brasões pelo arsenal tecnológico de um tempo avesso e pelas bandeiras da vergonha que não servem mais para encobrir a miséria de nosso corações frios. 

Mais que nunca, embora isso pareça cada vez mais utópico, vale a pena desejar um pouco mais de Paz ao mundo em 2008.